Um orgão (injustamente) esquecido

Um órgão injustamente esquecido

O nosso intestino é como um lindo jardim colorido. Enquanto nosso corpo tem 35 trilhões de células, o intestino abriga aproximadamente 100 trilhões de microorganismos, incluindo bactérias, fungos, vírus e protozoários coletivamente denominados de microbiota ou flora intestinal. De fato, não somos nós que abrigamos estes microorganismos. Na verdade, são eles que nos possuem, uma vez que são muito mais numerosos e antigos do que o ser humano no Planeta Terra. Cada vez mais pesquisas comprovam a relação do intestino com inúmeras doenças crônicas como obesidade, artrite, doenças auto-imunes, asma, câncer e até mesmo autismo e depressão. Acredite, o que acontece no intestino repercute no corpo inteiro. A prestigiosa revista The New England Journal of Medicine resume as principais funções deste órgão “esquecido”, que é na minha opinião o mais importante do corpo humano: 1) defesa contra invasores (função imunológica); 2) controle hormonal; 3) sinalização neurológica; 4) criação de energia; 5) biossíntese de vitaminas e neurotransmissores (como a serotonina: sim, aquela que está em falta nos pacientes com depressão e ansiedade); 6) alteração ou modificação da ação de medicamentos; 7) eliminação das toxinas que produzimos. Vamos entender o que está por trás disso. Quando há maior quantidade de "bactérias más” do que "bactérias boas", as células intestinais abrem “fendas” e deixam passar para o sangue invasores que deveriam sair nas fezes. Este fenômeno ficou conhecido por síndrome do intestino vazado. Como o nome sugere, a condição torna o intestino permeável a toxinas. As principais são o glúten e a lactose, mas existem muitas outras que ainda nem sabemos os nomes. O resultado desta invasão é uma inflamação leve, porém crônica em todo corpo, considerada por muitos autores como uma das principais causas de morte do mundo. Outro aspecto importante em tempos de e pandemia é que nossa imunidade contra o coronavírus depende muito da saúde da nosso intestino. A boa notícia é que alimentado-se bem - especialmente com comida de verdade incluindo fibras e fermentados – e praticando atividade física regular, somos capazes de equilibrar nossa flora intestinal e garantir uma espécie de blindagem contra o vazamento de toxinas e, portanto reduzir a inflamação e doenças crônicas associadas. Lembre-se: regue seu jardim todos os dias e viva mais e melhor!